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Talvez dentro de
alguns dias o caso da menina Isabella já esteja esclarecido
como, quem sabe, se não ele estará longe dos noticiários, sim
porque tudo estará esgotado, inclusive a nossa paciência.
O fato é que a mídia nunca esteve interessada em solucionar o
tal crime, seus olhos estavam – como sempre – voltados para os
institutos de pesquisa. Uma briga pela audiência, pura e
simples.
À mídia interessa tão somente a audiência e nada mais
comovente que o assassinato de uma bela garotinha de classe
média para |
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comover os
milhões de espectadores e de leitores, afinal Isabella tinha
um grande futuro. Bem nascida, bem nutrida, seguramente seria
uma mulher de destaque no país. A mídia sabe que os miseráveis
deste mesmo país adoram se comover com os dramas dos bem
nascidos, ignorando os dramas das crianças das periferias que
morrem de “morte morrida” e muito mais de “morte matada”. Para
não esquecer, o Brasil é um dos recordistas em assassinatos de
crianças e de adolescentes, sendo que a maioria absoluta de
negros e de pobres.
É claro que a grande mídia não vai se preocupar com isso,
afinal pobre nunca deu audiência. Se bem que na mídia tudo é
muito rasteiro e superficial, não há contextualização da
notícia, os fatos e os personagens surgem e desaparecem como
se fossem de um planeta distante. Não existem antecedentes
tampouco história. O MST é um bando de invasores de terras
produtivas, o PCC é um grupo de presidiários que promove
rebeliões e chacinas, os traficantes de drogas são apenas uns
caras que tentam destruir a família brasileira, os
seqüestradores são criminosos hediondos e o adolescente
transgressor é tão somente um marginal.
Da mesma forma que se decidiu que a corrupção é uma moeda de
um lado só, pois existe o corruptor mas não o corrompido, isto
é alguém compra sem que o outro seja comprado. Só se tem
procura quando há oferta, lei do mercado. Enfim, para a mídia
a audiência é o desiderato, tanto que as denúncias têm prazo
de validade.
Enfim, nada é muito consistente nos atuais noticiários, embora
se tenha a impressão – em alguns casos – que há uma
profundidade na análise e na cobertura. O que conta de verdade
é são os números, nos institutos e na conta bancária.
*Por Jorge Nicoli (Ator, poeta, resistente cultural,
corinthiano roxo e avô do Gabriel e do Leonardo) |