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A embriaguez suscitada pela
conquista espacial pode exaltar a imaginação. Um mito vivo se
constituiu, a partir de uma situação de aflição psicológica, e
é essa aflição que lhe serve de substância nutritiva. O mundo
moderno faz pesar sobre os espíritos uma angústia coletiva que
se projeta em direção aos céus sob a forma de corpos
circulares luminosos. A partir daí, a análise reconhece nessas
aparições uma analogia com o símbolo ancestral e universal da
totalidade psíquica: a mandala, motivo budista e hinduísta do
círculo mágico. Este arquétipo, saído do inconsciente
coletivo, é dotado de um significado luminoso: ele se traduz
numa aspiração a uma plenitude absoluta das nossas
possibilidades infinitas. A linguagem do inconsciente segue
‘uma trama instintiva e arcaica que, devido a seu caráter
mítico, não pode mais ser discernida e reconhecida pela
razão.’ Assim, os discos representam, sob uma forma adaptada
ao imaginário moderno, conteúdos latentes do psiquismo de cada
um. Esses conteúdos aparecem como fatos dotados de realidade
física: a mandala em sua totalidade redonda torna-se um
engenho interplanetário, pilotado por seres inteligentes;
interessante observar que as abduções (seqüestros) configuram
para a psicologia, o fenômeno ufológico fundamental, porquanto
tais disciplinas jamais tiveram o ensejo de acompanhar o
desenvolvimento de uma mitologia. Um aspecto dessa
problemática que tem causado perplexidade entre os psicólogos
é o fato de que a maioria dos abduzidos (seqüestrados) não
possuem características próprias da psicopatologia das
relações humanas. O extraterrestre dos discos voadores é o
inquietante homem do amanhã, tal como tememos que ele se
torne: um monstro de frieza, de indiferença, robotizado. Ou
esses enigmáticos seres extraterrestres e suas naves cósmicas
seriam a prova evidente de que de fato existe vida inteligente
noutra dimensão! |