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Pessoas procuram sempre outras
pessoas, com quem conversar! O encontro que se inicia com um
costumeiro “como vai?”, deveria representar uma hora ou mais
de um descontraído papo com os amigos, entretanto vai
significar, muito mais do que isso... Depois de esgotados os
comentários em torno do noticiário, sempre pelo lado negativo
das questões, um dos faladores aventura-se pelo obtuário local
ou o péssimo estado da saúde ou das finanças, de um
conterrâneo! Na pauta do “você não sabe o que aconteceu com
fulano?”, desenrola-se uma novela tragicômica com coadjuvantes
reais ou imaginários que “estavam lá e viram tudo!”. Via de
regra a atenção do grupo é maior se o personagem é do sexo
oposto ou “nunca regulou bem da cabeça!”. Se surge algum
elogio, este é breve e sempre seguido de detalhes negativos, e
obscuros antecedentes, do infeliz cidadão... Passam-se anos e
o grupo fiel continua a sua rotina “inocente” mal sabendo
agora que um ou mais companheiros da equipe original, já
desencarnados , estão ali presentes, a ouvi-los e inspira-los,
por não saberem fazer outra coisa! Apesar de provirem de boas
origens, excelentes escolas e ricas profissões, esses
alcoviteiros contumazes, especializaram-se em ser
comentaristas sinistros, e, como abutres do pensamento, só
fazem ampliar o erro suposto ou o sofrimento alheio...
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